Lacan conferiu importante significação psicanalítica ao termo gozo, diferenciando-o de prazer (opõe-se a este, porque o prazer abaixaria as tensões psíquicas ao mais baixo nível possível) e de demanda, estando mais proximo deste. Embora Freud muito raramente tenha usado o termo gozo, é nele que Lacan se inspira, mais precisamente naquela constatação de Freud de que o bebê que é amamentado, mesmo depois de saciar sua necessidade orgânica, demora-se no seio da mãe, fazendo atos de sucção, agora movido por uma sensação de gratificação erógena. Lacan conclui que é o outro, a mãe ou seu substituto, quem confere um sentido à necessidade orgânica do bebê, de modo a ficar preso numa relação de comunicação, onde é remetido ao discurso do Outro.Fonte: ZIMERMAN, D.E. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre, Artmed, 2008. p. 169